Araruama

Descrição Geral – A economia de Araruama gira principalmente em torno do turismo devido às suas belas praias e lagunas. Outros setores que fortalecem a economia de Araruama são a pesca e a agricultura. A extração de sal, que já foi importante para o município, hoje é bastante incipiente. A mineração de conchas na lagoa foi suspensa na década de 1990/2000.

Geologia – Em Araruama, predominam feições de relevo de baixa altitude como planícies fluviais e flúvio-marinhas, além de colinas suaves e isoladas nas planícies. As rochas mais antigas do município possuem cerca de 2 bilhões de anos e são metamórficas. Também ocorrem rochas ígneas, com idade aproximada de 130 milhões de anos, formadas pela cristalização do magma (rocha fundida) durante a quebra do paleocontinente Gondwana e registram a abertura do oceano Atlântico.


PRINCIPAIS GEOSSÍTIOS:

ESTROMATÓLITOS E ESTEIRAS MICROBIANAS DA LAGOA VERMELHA
Localização: 22°55’31.53″ S; 42°22’26.42″ O
Descrição: Localizada no interior do Parque Estadual da Costa do Sol, na divisa entre os municípios de Araruama e Saquarema, é uma laguna hipersalina, ou seja, onde a salinidade é maior do que a do mar. É um local de relevância geológica e ambiental de caráter internacional por conta da presença de estromatólitos recentes, o que lhe confere raridade e um alto valor científico e, também, educativo. Estromatólitos (palavra que significa “tapetes de rocha”, nome derivado do grego stroma = tapete e litos = rocha) são depósitos laminados gerados pela ação de comunidades de micro-organismos que vivem em ambientes aquáticos rasos. Durante seu metabolismo estes seres microscópicos fazem fotossíntese e, no processo, liberam oxigênio para a atmosfera, precipitando e acumulando minerais. Os estromatólitos foram muito abundantes na Terra entre 3,5 bilhões e 500 milhões de anos. No entanto, hoje, eles se formam em poucos lugares do mundo como na Lagoa Vermelha e na Lagoa Salgada, no Brasil, ambas no território do nosso projeto de geoparque. Portanto, são raros. A acumulação dos micro-organismos promove a formação de esteiras microbianas, que são depósitos de matéria orgânica onde os estromatólitos se formam por empilhamento “in situ” (Vasconcelos, 1994). Essas esteiras, presentes nas margens da laguna e nos tanques e canais da salina, permitem observar e entender o processo de formação dos estromatólitos. Veja mais detalhes no Livreto 2 da Série Geossítios. Os estromatólitos são verdadeiras chaves para entender a evolução da vida e da atmosfera terrestre: da vida porque são as evidências macroscópicas de vida mais antigas que se conhece no nosso planeta e da atmosfera porque há cerca de 3,5 bilhões de anos não havia oxigênio livre na atmosfera primitiva. As pesquisas apontam para que a fotossíntese processada por micro-organismos construtores dos estromatólitos levaram à “contaminação” da atmosfera em oxigênio. Assim, a Lagoa Vermelha é muito importante nos estudos da origem da vida e da atmosfera terrestre. Também, possui importância econômica pela semelhança entre os estromatólitos e as rochas reservatórios de petróleo na camada do Pré-sal. A estes valores, podemos ainda agregar outro, que é a importância científica associada à presença do mineral dolomita (carbonato de cálcio e magnésio) na composição dos estromatólitos. No mundo ela é variada, mas no caso da Lagoa Vermelha, são encontrados estromatólitos compostos predominantemente por dolomita estratificada. Vale ressaltar que são poucos os locais no mundo em que há formação primária de dolomita, mineral que era considerado como formado unicamente a partir da modificação de outros em temperaturas especiais. Atualmente, encontram-se poucos exemplos mundiais de sua formação por ação microbiana: Sabkha, em Abu Dhabi; e Coorong, na Austrália. Assim, a Lagoa Vermelha tem sido usada como um laboratório natural para entender este processo, já que rochas dolomíticas são encontradas na Terra em ambientes muito mais antigos. A região abriga ainda uma importante salina, a Salina Carvalho, onde é possível entender o processo de retirada do sal e observar a arquitetura centenária, contemplando paisagens típicas com cata-ventos. Isso faz com que o sítio tenha um valor histórico-cultural. Do ponto de vista ambiental, além do ecossistema dos micro-organismos, pode-se ver uma grande riqueza de pássaros e de vegetação típica da restinga. O local contém um painel do Projeto Caminhos Geológicos. Por fim, caminhar desde a Lagoa de Araruama até o mar, passando pela Lagoa Vermelha, nos permite perceber o duplo cordão arenoso que faz parte da evolução geológica deste complexo lagunar hipersalino.


PRINCIPAIS SÍTIOS DE INTERESSE HISTÓRICO-CULTURAL NA ÁREA DO GEOPARQUE:

MUSEU DE ARQUEOLOGIA DE ARARUAMA
Localização: 22º48’8.86” S; 42º24’55.16” O (Rodovia ViaLagos, 2 km após o pedágio, sentido Rio de Janeiro para Araruama)
Descrição: O museu foi criado para resgatar a cultura relacionada aos cerca de 20 sítios arqueológicos cadastrados no município, com especial destaque à cultura tupinambá. Seu acervo é composto por urnas funerárias, louças, peças cerâmicas e utensílios diversos (http://www.casadaciencia.ufrj.br/Publicacoes/guia/files/guiacentrosciencia2009.pdf). O prédio do museu é datado de 1862 e tombado pelo INEPAC.

CAMINHOS DE DARWIN
Localização: 22º53’8.75” S; 42º22’14.96” O (em Ponte dos Leites)
Descrição: No local há uma placa de estrada indicando a entrada para a antiga estação ferroviária, onde foi implantado o marco comemorativo da passagem de Charles Darwin, onde consta um trecho do diário de Charles Darwin sobre Araruama, por onde passou no dia 9 de abril de 1832 — “[…] Enfim adentramos a floresta. As árvores eram muito altas e o que havia de notável nelas era a brancura de seus troncos, o que as tornava muito impressionantes à distância. Vejo em meu caderno: “maravilhosos parasitas florescentes”. […] Na estrada passamos por grandes extensões de pastagem, muitas delas marcadas por imensos ninhos de formigas com cerca de 12 pés [3,7 m] de altura e forma cônica. […] Chegamos a Ingetado quando já estava escuro, após dez horas no lombo dos cavalos.”. Também chama a atenção o prédio da estação ferroviária, construído para auxiliar no escoamento da produção de sal.

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