Armação dos Búzios

Descrição Geral Município localizado a cerca de 180 km a noroeste da cidade do Rio de Janeiro. É uma península com 8 km de extensão que possui 23 belas praias e importante planície alagada no interior. Sua principal atividade econômica é o turismo.

Geologia As rochas do município indicam que esta região fazia parte de uma gigantesca cadeia de montanhas há 520 milhões de anos, quando houve a colisão de massas continentais que formaram o paleocontinente Gondwana, semelhante ao que ocorre no Himalaia. Hoje a maior altitude do município não ultrapassa 200 metros. Nas rochas do município foi datada a última orogenia (formação de montanhas) formada durante esta colisão, que foi denominada Orogenia Búzios.


PRINCIPAIS GEOSSÍTIOS:

MANGUE DE PEDRA E PALEOFALÉSIAS DA PRAIA RASA
Localização: 22º43’56.63” S; 41º58’23.22” O
Descrição: O acesso a esta área se faz pela estrada que liga a Rodovia Amaral Peixoto a Búzios. Antigas falésias que foram ativas quando o nível do mar esteve cerca de três metros acima do atual há cerca de 5.100 anos A.P. Espessos pacotes de conglomerados da Formação Barreiras foram formados por leques aluviais condicionados pela movimentação da Falha do Pai Vitório (Morais et al. 2006), localizada nas proximidades. Importante também é a ocorrência do Mangue de Pedra da Praia Gorda, localizados após a colônia de pescadores da Praia Rasa. A existência deste ecossistema singular, um manguezal sobre rochas e longe de foz de rios, está associado à descarga de água doce do aquífero das paleofalésias. A localidade tem importância científica (paleoambiental, sedimentar, hidrogeológica, tectônica, geomorfológica e botânica), além de valor cultural pela presença de comunidades remanescentes de quilombolas na área.

PONTA DA LAGOINHA / FOCA / FORNO
Localização: 22º46’15.83”S; 41º52’41.94” O (coordenada da Ponta da Lagoinha)
Descrição: Em Armação dos Búzios, existem diversos painéis dos Caminhos Geológicos (Ponta da Lagoinha, Praia de Geribá, Orla Bardot e Pórtico Turístico) tratando da amalgamação e quebra do Gondwana, porque nas rochas ali expostas foi datada a Orogenia Búzios (Schmitt 2001). Na região da Lagoinha, Foca e forno existem espetaculares feições e paisagens. São rochas foliadas e dobradas, demonstrando as altas pressões e temperaturas a que foram submetidas no episódio de colisão. Aí se encontra a sessão-tipo dos paragnaisses Búzios, com seus minerais de alto grau metamórfico e uma rara estrutura de pseudomorfo de sillimanita sobre cristais de cianita. Os painéis localizados no costão ajudam a reconhecer minerais e estruturas. Estas rochas foram sedimentos em um mar que se fechou entre 500 e 520 milhões de anos, período da colisão continental. Esta região é das mais belas de Búzios e não se deve deixar de conhecer a Praia do Forno, com suas areias rosadas pela presença do mineral granada, muito abundante nas rochas do costão. Também, na Praia da Foca, pode-se observar uma brecha tectônica silicificada representativa de falhamento, diques e um pequeno mangue de pedra.

PONTA DO MARISCO / GERIBÁ
Localização: 22º 46’56.87” S; 41º54’58.02” O
Descrição: A Ponta do Marisco é acessada na porção sul da Praia de Geribá, no limite com a Praia de Tucuns. O painel dos Caminhos Geológicos apresenta os dois principais tipos de rocha do local: uma mais antiga, com cerca de 2 bilhões de anos, presente em muitos locais da região, metamórfica, com foliação bem marcada; e a outra, mais recente, ígnea, representada por diques de basalto, rochas típicas do fundo oceânico, com idade de aproximadamente 130-120 milhões de anos, que representam a quebra do antigo continente Gondwana e formação do Oceano Atlântico. As estrias de falha existentes na parede do dique e os xenólitos ali existentes são exemplos extremamente didáticos.

PRAIA DE JOSÉ GONÇALVES
Localização: 22°48’37.19″ S e 41°56’32.30″ O
Descrição: Este geossítio corresponde à sessão–tipo da Suíte José Gonçalves, descrita por Schmitt et al (2009) como “corpos tabulares de (cpx-granada) anfibolitos com granulação média a fina cortando os metagranitos e ortognaisses do Complexo Região dos Lagos, formando contatos bruscos intrusivos. Possuem espessuras desde poucos centímetros até 5 metros. Apresentam-se dobrados e boudinados, muito raramente mostram textura de fusão parcial in situ”. Seus megaboudins já estamparam a capa da revista Episodes. Na praia Ramos et al (2005) identificaram dois níveis de cascalho que correspondem a terraços marinhos holocênicos. Faz parte do Parque Estadual da Costa do Sol e da APA do Pau-Brasil.

PRAIA DO FORNO
Localização: 22°45’40.2” S; 41°52’31.2” O
Descrição: A bela enseada da Praia do Forno destaca-se por sua areia cor-de-rosa e costões rochosos. É importante que se perceba a relação existente entre essas areias e rochas peculiares. O aspecto de “mil folhas” da rocha do costão é explicado pelo fato dela ter passado pelo processo de metamorfismo há cerca de 500 milhões de anos, quando pressões e temperaturas associadas a um ambiente geológico, cuja profundidade é calculada em cerca de 9 km, levou à geração de minerais específicos dessas condições. Naquela época a região se encontrava em situação tectônica semelhante àquela existente hoje na base da Cordilheira dos Himalaias. Assim, ocorre essa rocha metamórfica, foliada e dobrada, cujos minerais mais comuns em sua composição são quartzo, feldspato, biotita, granada, sillimanita e cianita. Maiores detalhes sobre a origem geológica dessas rochas e sobre os principais minerais nela presentes podem ser obtidos nos painéis do Projeto Caminhos Geológicos do DRM-RJ, em especial naqueles relativos à Ponta da Lagoinha, localizada bem perto da Praia do Forno. Após 500 milhões de anos, muitos processos internos e externos, entre eles a quebra do Supercontinente Gondwana e a respectiva separação entre a África e a América do Sul, trouxeram estas rochas à superfície. Como elas se formaram em altas pressões e temperaturas, há um desequilíbrio químico e físico quando os minerais entram em contato com as condições ambientais vigentes e, assim, começam a sofrer um processo de alteração que é denominado intemperismo. Chuva, vento, sol, ondas, raízes de plantas, ácidos no solo e muitas outras intempéries fazem com que os minerais, alguns mais do que outros, se transformem para formas mais estáveis às novas condições. Assim, a rocha vai se desagregando, ou seja, vai sendo erodida e os minerais mais alterados, ou não, são transportados (por ventos, rios, geleiras, etc.) na forma de sedimentos (partículas). Quando se observa em lupa a areia da Praia do Forno, nota-se uma alta concentração do mineral granada, que é vítreo e de cor vermelha e rosa. Seu nome deriva do latim granatus (grão) de onde também foram baseados os nomes granada (em espanhol) ou pomegranade (em inglês), referindo-se à fruta romã, cujos grãos são arredondados e avermelhados. Em geral, nas areias das praias há predomínio do mineral quartzo, que é vítreo e incolor. No entanto, ele é mais leve (menos denso) que a granada. Assim, pelo lento trabalho das ondas, o quartzo é retirado da praia e levado para o mar, enquanto a granada, mais densa, permanece na praia em alta proporção. Assim é explicada a cor da areia da praia e os processos da dinâmica interna e externa que modelam a belíssima paisagem da região, que é tombada como patrimônio cultural do Estado e também faz parte do Parque Estadual da Costa do Sol. No Espaço da Geodiversidade, localizado na Casa Sustentável de Armação dos Búzios (Estr. da Usina Velha, 600 – Centro), existe uma exposição das areias de todas as 23 praias de Búzios. Durante a visita, vale observar os diferentes tipos de areias em termos de composição e granulometria. Uma rica geodiversidade a ser explorada!

Deixe seu comentário: