Cabo Frio

Descrição Geral – A sua rica diversidade natural torna Cabo Frio uma cidade com intensa atividade turística. A economia está baseada no turismo, agricultura e repasse dos royalties do petróleo.

Geologia – As rochas mais antigas do município são metamórficas e ígneas, onde predominam gnaisses, anfibolitos e diabásio. Na região ocorrem feições geomorfológicas típicas de baixa altitude como as planícies fluviais, flúvio-marinhas e cordões litorâneos, com destaque para os campos de dunas.


PRINCIPAIS GEOSSÍTIOS:

CAMPO DE DUNAS DA DAMA BRANCA OU DUNAS DE CABO FRIO
Localização: 22º54’33.71” S; 42º2’11.11” O
Descrição: O acesso a este campo de dunas se faz pela estrada que liga Cabo Frio a Arraial do Cabo. Neste local pode-se apreciar a paisagem eólica descrita no painel do Projeto Caminhos Geológicos que está localizado no Aeroporto de Cabo Frio. A Duna Dama Branca é a maior duna isolada do sudeste do Brasil. Seu campo de dunas é alimentado pelas areias trazidas pelo vento de direção NE e que passam pela Praia do Forte, das Dunas e do Foguete. Caminhando pelo Parque das Dunas é possível observar estruturas sedimentares eólicas, dunas barcanas e longitudinais, lagoas interdunas e a fauna e flora típicos associados a este ambiente.

FORTE DE SÃO MATEUS
Localização: 22º53’5.87” S; 42º0’26.71” O
Descrição: Neste local também existe um painel do Projeto Caminhos Geológicos, implantado na praça que dá acesso ao Forte São Mateus, na Praia do Forte, ao lado da saída do Canal de Itajuru, que liga a Lagoa de Araruama ao mar. A geologia do local é representada por rochas paleoproterozóicas do Complexo Região dos Lagos, em especial por ortoanfibolitos. As cores muito distintas das rochas permitem ao visitante identificar cada litotipo existente. Neste painel é explicado o método utilizado para datação dessas rochas, cuja cristalização se deu há 2 bilhões de anos.O Forte é um patrimônio tombado pelo IPHAN, construído no século XVII.

ILHAS DE CABO FRIO
Localização: 22º52’38.87” S; 42º1’1.99” O
Descrição: No Boulevard Canal, existe um terminal de barcos para realização de passeio até às ilhas. Neste local existe outro painel do Projeto Caminhos Geológicos, onde é apresentada a origem geológica das Ilhas do Breu, Pargos, Capões, Comprida, Redonda, Dois Irmãos e dos Papagaios, e das principais rochas e estruturas que podem ser vistas durante o passeio de barco. Pequenas praias de cascalho, diques e dobras podem ser observadas. As ilhas se orientam paralelamente à linha de costa e, por este motivo, cada uma delas reflete a geologia do ponto do litoral imediatamente em frente. Assim, ocorrem litotipos do Complexo Região dos Lagos, da Suíte José Gonçalves e do Grupo Búzios-Palmital.

PARQUE DA BOCA DA BARRA
Localização: 22º52’53.27” S; 42º0’11.23” O
Descrição: O local é conhecido, também, como Ilha do Japonês, localizada no Canal de Itajuru. Existe um painel do Projeto Caminhos Geológicos na entrada do estacionamento. O painel sintetiza a quebra do Gondwana e a formação do Oceano Atlântico, registradas nas rochas do embasamento paleoproterozóico e diques toleíticos do Cretáceo, com 130 milhões de anos. Possui, na praia Brava, paragnaisses do Grupo Búzios – Palmital. O Parque da Boca da Barra inclui toda a área que vai desde o início da salina na Pousada Porto Veleiro, passando pela Ilha do Japonês, até a ponta do farol da Lajinha, Praia Brava e todo o costão além da Ponta do Chapéu até a Praia das Conchas, a região é de máxima exuberância e é um museu geológico a céu aberto.

CAMPO DE DUNAS DO PERÓ
Localização: 22º51’47.75” S; 41º59’10.39” O
Descrição: O campo de Dunas do Peró é um dos mais importantes cartões postais de Cabo Frio. Além do registro eólico, possui fauna e flora endêmica, importância para formação de lagoas e brejos no seu entorno e sítios arqueológicos. Ocupa uma ampla faixa de terra entre a Ponta do Peró, na divisa com o município de Búzios até a belíssima Praia das Conchas. Está sinalizado por um painel dos Caminhos Geológicos localizado no início do calçadão da Praia do Peró, na altura da Rua dos Pescadores.

PALEOLAGUNA DA RESERVA TAUÁ
Localização: 22º45’13.19” S; 41º59’52.86” O
Descrição: A Paleolaguna da Reserva Tauá, localizada na borda leste do pântano da Malhada, entre os municípios de Cabo Frio e Armação dos Búzios, tem área aproximada de 1 km². Destaca-se por uma ocorrência singular, o que levou a sua descrição ser selecionada e publicada pela Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP). Trata-se de uma área particular, cuja proprietária, a ambientalista Tereza Kolontai, preservou e reintroduziu, com base em estudos botânicos, muitas espécies de flora típica de restinga. Uma fauna rica, com borboletas de diversas cores, destaca-se em meio à exuberante vegetação. Mas a geodiversidade também se fez importante para sua reserva quando, ao escavar uma área para acumulação de água para rega de mudas e viveiros, Tereza se deparou com uma grande concentração de conchas. Ela pensou tratar-se de um sambaqui, mas a geologia trouxe a resposta: era uma coquina, acúmulo sedimentar formado quase que exclusivamente por conchas e seus fragmentos. Esse depósito, com espessura média de 0,60 m, apresenta alto grau de preservação, ou seja, muitas das conchas estão fechadas, em posição de vida. Como os sambaquis são formados principalmente por conchas que serviram de alimento para os habitantes pré-históricos, fica claro que esse depósito de conchas é natural e, portanto, geológico. Foram identificadas ali 16 espécies de moluscos, sendo 9 de biválvios, 6 de gastrópodes e uma de escafópode. Analisando esses organismos, pesquisadores concluíram que são característicos de ambiente lagunar hipersalínico, como aquele que hoje existe na Lagoa de Araruama. Também, esses depósitos estão distantes cerca de 4 km do litoral e, assim, reconstituições ambientais vêm sendo feitas para entender estas ocorrências no passado. Aliás, o nome Paleolaguna (do grego palaiós = antigo + laguna) já explica sua origem no passado. As conchas puderam ser datadas pelo método radiocarbono e apresentaram idade entre 5.034 a 5.730 anos cal. A.P. Com os estudos hoje realizados, tem sua formação explicada quando o nível relativo do mar atingiu 2,8 m acima do atual há cerca de 5.100 anos, época em que houve o “afogamento” da planície costeira atual. Naquele momento, existiam na região diversas lagunas interligadas, fechadas por cordões arenosos. Por volta de 4.900 anos, houve uma rápida descida no nível do mar, fazendo com que as lagunas não tivessem mais sua ligação com o ambiente marinho. Formou-se o ambiente pantanoso atual e as conchas que viviam em ambiente hipersalino morreram, ficando preservadas nesse belo lugar. Um painel do Projeto Caminhos Geológicos foi implantado na reserva, além de uma escultura em espiral ter sido construída para representar o tempo geológico. Vale destacar, ainda, que estudos arqueológicos no Pântano da Malhada identificaram artefatos constituídos de quartzo lascado, bem como sepultamentos. Restos de ossos e conchas foram datados de 4.020 ± 80 anos A.P, marcando o início da ocupação humana naquele local. No local foi ainda. Hoje, a ocupação urbana se aproxima dessa região, que precisa ser preservada por guardar toda essa história biológica, geológica e humana.


PRINCIPAIS SÍTIOS DE INTERESSE HISTÓRICO-CULTURAL NA ÁREA DO GEOPARQUE:

SÍTIOS HISTÓRICOS, PRÉ-HISTÓRICOS, CULTURAIS E ECOLÓGICOS DE CABO FRIO
Localização: 22º51’54.95” S ; 42º01’59.95” O (Centro de Recepção de Visitantes)
Descrição: Cabo Frio foi um dos primeiros pontos a serem ocupados pelos portugueses no litoral brasileiro, logo após o descobrimento. Antes disto, o homem pré-histórico, desde os sambaquieiros até os tamoios, deixaram também seus registros. Não se pode visitar Cabo Frio, sem deixar de conhecer o sítio arqueológico das pedras sulcadas do Itajuru, no Morro da Guia, a Fonte do Itajuru, mandada construir por D. Pedro II, o bairro colonial da Passagem e o Museu de Arte Religiosa e Tradicional de Cabo Frio, todos tombados pelo IPHAN. Aconselha-se a visitar, também, o sítio ecológico e geológico Dormitório das Garças, que fica na estrada que liga Cabo Frio a São Pedro da Aldeia, no trecho entre a Ponte Feliciano Sodré e a entrada para a Estrada Velha de Búzios. Neste local, existe um Centro de Recepção de Visitantes sobre o ecossistema de manguezais, com trilhas e painéis informativos. O melhor horário para observação das garças é no fim da tarde, quando elas voltam para seu dormitório. Do ponto de vista da geologia, vale observar na estrada, em frente à entrada do parque, uma falha geológica.

CAMINHOS DE DARWIN
Localização: 22º43’4.67” S; 42º1’52.38” O (Fazenda Campos Novos – Rodovia Amaral Peixoto, km 124, próximo ao trevo de Armação dos Búzios)
Descrição: Esta fazenda foi escolhida para ser a sede principal do Geoparque. Possui placa de estrada sinalizando a entrada e painel dos Caminhos de Darwin. A seguir é apresentado um trecho do diário de Charles Darwin sobre a Fazenda Campos Novos, onde dormiu nas noites de 10 e 20 de abril de 1832: “[…] Em Campos Novos, comemos suntuosamente com arroz, frango, biscoito, vinho e aguardente no almoço, café à noite e café com peixe para o desjejum.[…] Saí para coleta e encontrei algumas conchas de água doce.” A Fazenda Santo Inácio dos Campos Novos é tombada pelo INEPAC e IPHAN, foi construída pela Companhia de Jesus no final do século XVII. Com a expulsão dos jesuítas em 1759, a área foi incorporada aos bens da Coroa Portuguesa e hoje pertence à Prefeitura Municipal. Junto ao sítio histórico existe um sambaqui.

Deixe seu comentário: