Carapebus

Descrição Geral: Compreende lagunas e praias, além de parte do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba. A pesca amadorística acontece tanto na área lacustre (pesca de rede), como na área marítima (pesca de linha). A denominação Carapebus tem origem em um peixe saboroso, o carapeba da lagoa, com a desinência “us”, qualificativo na língua dos indígenas Goitacazes, que quer dizer “boas ou bom”. Destacamos nossos parceiros do município: Pousada Ecorrural Rancho Ouro Preto e Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba.

Geologia: O litoral do Estado do Rio é marcado por cordões arenosos retilíneos desde a baía de Sepetiba até o litoral norte, interrompidos por costões rochosos. Na área de Carapebus ocorre uma das mais expressivas, didáticas e belas formações de cordões litorâneos e lagunas do litoral brasileiro, que contam a história da sedimentação do rio Paraíba do Sul e das variações do nível relativo do mar no Holoceno. Ocorrem, ainda, sedimentos fluviais da Formação Barreiras com idade aproximada de 10 milhões de anos.

Histórico: O início da colonização da área que corresponde ao atual município de Carapebus ocorreu em 1627, quando a Coroa Portuguesa concedeu aos sete capitães, militares portugueses que lutavam na expulsão dos franceses da Baía de Guanabara, as terras entre o Rio Macaé e o Cabo de São Tomé, que incluía Carapebus. Nas últimas décadas do século XVIII, o Capitão Francisco José vendeu parte de suas terras à família Rocha, a maior parte, no entanto, constituindo-se na Fazenda de São Domingos, então propriedade do campista Caetano Peres, que, nesta mesma época, mandou construir a primeira Igreja do local, consagrada a Nossa Senhora da Conceição, às margens da Igreja de Carapebus. Carapebus foi distrito de Macaé desde que este município foi elevado a Vila de São João de Macaé, em 1831. O plebiscito aconteceu em 13/03/1995, no Real Clube de Carapebus, e a criação do município ocorreu em 19/07 do mesmo ano.


PRINCIPAIS GEOSSÍTIOS:

PARQUE NACIONAL DA RESTINGA DE JURUBATIBA
Localização: 22º12’5” S; 41º29’33” O
Descrição: É o primeiro Parque Nacional brasileiro, criado em abril de 1998, a compreender exclusivamente o ecossistema de restinga e lagoas litorâneas. Pesquisadores concordam que Jurubatiba é a área de restinga mais bem preservada do país. Abrange parte das planícies fluviais e marinha dos municípios de Quissamã, Carapebus e Macaé. Compreende uma faixa de orla marítima com 14.860ha de área e 44 quilômetros de extensão de praias. É um importante território inserido na Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Registra espécies endêmicas e protege um rico ecossistema. Lagunas marcam as variações do nível do mar no Holoceno. O PARNA Jurubatiba é cortado pelo Canal Campos-Macaé que é considerado o segundo maior canal artificial do planeta e a maior obra de engenharia do período imperial no Brasil. Possui aproximadamente 100 km de extensão. Foram necessários quase trinta anos para a sua completa realização, que iniciada no ano de 1844 foi concluída em 1872. A construção de um canal navegável que serviria para o escoamento de mercadorias e transporte de passageiros entre Campos e Macaé, surgiu no final do século XVIII, frente ao crescimento da produção açucareira e as dificuldades de escoamento do produto. Dois anos apenas de sua conclusão foi inaugurada a estrada de ferro que ligava estas duas cidades, perdendo o Canal toda sua importância e funcionalidade. Tombado como patrimônio estadual em 2002, o Canal Campos-Macaé sofre hoje um intenso processo de assoreamento e despejos de esgotos, permanecendo apesar disso como um componente de destaque na paisagem urbana. Porém, no interior do parque ele mantém sua exuberância. Devido à importância do PARNA Jurubatiba, tornou-se tema da 5ª edição da nossa série Geossítios.

ARENITO COM MATÉRIA ORGÂNICA NA PRAIA
Localização: 22º12’5” S; 41º29’33” O (Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba)
Descrição: No Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba (PARNA Jurubatiba) é muito marcante a existência de cordões arenosos que registram antigas linhas de praia ao longo dos últimos 120 mil anos. Eles ocorrem como faixas paralelas mais altas e arenosas, intercaladas com partes mais baixas, inundadas, com vegetação de maior porte e sedimentos arenosos muito ricos em matéria orgânica. Sua origem está associada à evolução do complexo deltaico do rio Paraíba do Sul, cuja foz atual está mais ao norte. Cada cordão e intercordão correspondem a momentos distintos de avanço e recuo do nível relativo do mar e, ainda, da dinâmica das correntes marinhas que atuam ao longo do litoral, construindo-os. Foi identificado na beira da praia, no território que pertence ao município de Carapebus, próximo à Lagoa Comprida, um afloramento muito interessante. Ao longo de pouco mais de 750 m na praia, na linha da arrebentação, ocorre um arenito (rocha sedimentar formada por grãos de tamanho areia – entre 0,064 e 2 mm) com muita matéria orgânica, de cor preta, untuosa ao tato (betuminosa) e que suja as mãos. Em meio ao arenito são observados troncos, raízes e outros fragmentos de vegetação. Para um observador atento, fica claro que aquele material não pode ter sido formado num ambiente de praia semelhante ao atual. Porém, quando caminhamos transversalmente aos cordões arenosos, encontramos nos espaços intercordões um ambiente que pode nos remeter àquele onde o arenito deve ter sido formado: areia com muita matéria orgânica, preta, com presença de árvores e arbustos. Pesquisadores identificaram que o depósito tem espessura de cerca de 8 m, classificaram algumas espécies de plantas arbustivas e arbóreas e dataram a matéria orgânica presente no arenito e num tronco pelo método radiocarbono. Obtiveram idades entre aproximadamente 34.530 e 43.500 anos. Ou seja, podemos interpretar que naquele intervalo do tempo geológico (Período Quaternário – Época Pleistoceno) esta área, que hoje se encontra na beira do mar, era uma área continental, semelhante aos intercordões que hoje observamos no PARNA Jurubatiba. Preparamos um esquema que demonstra esse posicionamento temporal e ambiental. Este sítio nos informa, portanto, que naquela época o nível do mar estava muito mais baixo que atualmente.

Referências: Barros, M.A.; Vasconcellos, F.M.; Misumi, S.Y.; Luz, S.F.P.; Barth, O.M. (2015) Datações radiométricas e análise palinológica em sedimentos turfosos do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, Estado do Rio de Janeiro. XV Congresso da Associação Brasileira de Estudos do Quaternário – ABEQUA. Tramandaí, Rio Grande do Sul. Volume: 1.

ARENITO DO CANAL CAMPOS-MACAÉ
Localização: 22°13’5.88” S; 41°35’10.68” O
Descrição: Dentro do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba existe um canal artificial, uma hidrovia construída em meados do século XIX durante o Império, a fim de escoar a produção açucareira e o trânsito de pessoas. Sua construção começou por volta de 1845 e ficou pronta aproximadamente 28 anos depois, mas entrou em desuso após a inauguração da estrada de ferro Campos-Macaé, em 1875. É a maior obra de engenharia do Império e o segundo maior canal construído artificialmente no mundo, com 96 km de extensão, sendo 18 km no interior de lagoas e lagunas costeiras. O Canal Campos-Macaé cruza o território de Macaé, Carapebus, Quissamã e Campos dos Goytacazes, acompanhando os limites entre os cordões litorâneos e os braços das lagoas. Porém, por vezes, foi necessário abrir caminho por meio de escavação, com aprofundamento do canal para permitir a conexão entre os corpos lagunares. Esses cordões correspondem a antigas linhas de praia e foram originados devido a variações do nível relativo do mar nos últimos 120 mil anos e à interação das correntes marinhas que acabam por trazer sedimentos, na maioria, vindos do rio Paraíba do Sul, sendo redistribuídos ao longo da costa. Os limites dos cordões arenosos litorâneos marcam diferentes momentos de deposição dos sedimentos. Atualmente, é possível observar em um trecho de cerca de 1 km ao longo do canal uma rocha, denominada arenito, composta por grãos de tamanho areia (entre 2 e 0,0625 mm de diâmetro), de cor marrom e pouco consolidada. Ela ocorre por poucos metros ao longo das margens. Tanto sua formação quanto os processos envolvidos intrigaram os geólogos que identificaram esta rara ocorrência. Sugere-se que nas margens dos cordões, onde as escavações foram mais profundas, houve intensificação dos processos formadores de solos (pedogêneses). Após a abertura do Canal Campos-Macaé, tal processo alterou a dinâmica da água subterrânea. Como o nível do lençol freático no local foi rebaixado, as partículas mais finas conseguiram se infiltrar na areia e se acumular. Todo esse material depositado se consolidou, transformando-se em rocha. Porém, esta é uma rocha diferente, formada pela ação antrópica. Este sítio é de grande importância científica e possui também elevada relevância histórica e cultural. Pode-se realizar passeio de barco dentro do parque com guias turísticos locais.

Referências: Pereira, T.P. 2019. Caracterização Sedimentológica e Petrográfica de Arenito Aflorante no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba-RJ. Trabalho de conclusão de curso. Departamento de Geologia, IGEO, UFRJ, 130 f.


PRINCIPAL SÍTIO DE INTERESSE HISTÓRICO-CULTURAL:

ESTAÇÃO CULTURAL
Localização: 22°11’13.42″ S;  41°39’40.87″ O
Descrição: A estação ferroviária, que hoje cede seu espaço para a Casa de Cultura, possui laços estreitos com a história e construção da cidade de Carapebus. Mesmo apresentando os primeiros registros de ocupação em 1634, o município do norte-fluminense só começou seu desenvolvimento demográfico e econômico a partir do final do Século XVIII, quando a Sesmaria atribuída ao Coronel Francisco José, a qual Carapebus tinha uma porção de seu território vinculada, iniciou o cultivo de cana-de-açúcar e do café. Assim, impulsionado pelo aquecimento econômico da região, em 1874 foi inaugurada a Estrada de Ferro Macaé-Campos e no ano seguinte a estação ferroviária de Carapebus. A Estrada de Ferro Macaé-Campos é um segmento importante de um sistema de linhas férreas denominada de “linha do litoral” que se estende de Niterói (RJ) até Vitória (ES). A ferrovia foi construída durante o final do Século XIX e início do Século XX por diversas companhias, entre elas: Cia. Ferro-Carril Niteroiense, Cia. E.F. Macaé-Campos, E.F. Carangola, E.F. Barão de Araruama, E.F. Sul do Espírito Santo. Posteriormente, todas estas empresas foram incorporadas à Leopoldina. A linha ainda é funcional, porém no início dos anos 1980 deixaram de circular os trens de passageiros e apenas os vagões cargueiros continuaram a circular. A Estação de Carapebus contribuiu para o crescimento populacional da região que, em 1920, já tinha maior concentração populacional dentre as províncias de Macaé (município o qual Carapebus pertenceu até 1995). Em consequência, a região que já era conhecida pelo cultivo agrícola, com esse forte desenvolvimento atraiu a chegada de imigrantes libaneses, que tinham destreza no cultivo de várias culturas, principalmente do café. Desta forma, realizaram importantes experimentos com a terra, colaboraram para o crescimento da produção e também para a rápida ocupação do interior da região, o que favoreceu a formação de uma colônia entre as regiões de Pindobas, Rodagem e Imbuiú. O canal Campos-Macaé, que até a construção da linha de ferro era o principal meio de escoamento da agricultura local, foi a primeira ação de uma política pública que visava à construção de longas hidrovias pelas lagoas no norte-fluminense, mas que demandou muito tempo e recursos para ser construído. Foi inaugurado em 1861, porém durou pouco tempo, já que em 1875 a Estrada de Ferro Macaé-Campos praticamente inutilizou não só o Canal Campos-Macaé como também o projeto das hidrovias como um todo. A estrada de ferro tornava o escoamento mais rápido e prático e, assim, o “Projeto Veneza”, como era chamado (em alusão à cidade italiana cercada de hidrovias), não prosperou e ainda deixou grande prejuízo. Em 1995, foi aprovado o Projeto de Lei que trata da emancipação e instalação do município de Carapebus, desmembrando-o do município de Macaé e, enfim, em 1997, o prédio da Estação foi revitalizado pelo Programa Despertando Arte e rebatizado como Estação Cultural onde desde então o espaço realiza cursos e oficinas de teatro, canto, violão e artesanato, além de mostras, exposições e vendas.

Referências: Neves, R.M. 2016. Análise dos Impactos da Indústria do Petróleo no Espaço Urbano de Cidades Pequenas: Estudo de Caso dos Municípios de Carapebus e Quissamã/RJ. Dissertação de mestrado, Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais, UENF, 146p. | Castro, C.C.; Caetano, R.C. 2015. Turismo e Planejamento: Análise Geográfica e Perspectivas para o Desenvolvimento de Carapebus – RJ. InterSciencePlace, 10(3):100-116 | Castro, C.C. 2015. Análise sobre as Potencialidades Turísticas de Carapebus (RJ). Dissertação de mestrado, Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais, UENF, 91p. | Prefeitura de Carapebus | Estações Ferroviárias do Brasil – Carapebus

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