Casimiro de Abreu

Descrição Geral: Os principais atrativos turísticos da região de Casimiro de Abreu são rios, cachoeiras e mar. O rio São João, além de seus benefícios naturais, proporciona experiências maravilhosas aos aventureiros, pois se pode navegar em suas águas para lazer utilizando barcos, caiaques ou até pranchas de Stand Up Paddle. Com importância histórica, há um amplo casario em estilo colonial, localizado na avenida conhecida como “Beira-Rio” (junto ao rio São João), casa onde nasceu o poeta Casimiro de Abreu e datada do início do século XIX. O município ainda conta com seis Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), que têm caráter perpétuo e garante a preservação da Mata Atlântica. Destaque para a RPPN Fazenda Bom Retiro, primeira a ser instalada no estado do Rio de Janeiro.

Geologia: O morro de São João, ponto geológico de interesse da região, é constituído de rochas alcalinas. Os geocientistas acreditam que há dezenas de milhões de anos, enquanto a Placa Sul-Americana afastava-se da Africana, o território do Estado do Rio de Janeiro esteve sobre um ponto fixo e muito quente, localizado a grandes profundidades no interior da Terra, os “hot spots”. Segundo esse modelo, um “hot spot” pode dar origem a uma série de vulcões alinhados, com idades diferentes, à medida que as placas se movimentam sobre ele. No caso do Morro de São João, apesar de sua forma de cone vulcânico, os geólogos não conseguiram identificar a presença de rochas que indicassem a ocorrência de erupções vulcânicas na superfície, ocorrendo apenas as rochas cristalizadas a grandes profundidades,provavelmente devido a forte erosão que “arrasou” a topografia da região. Além disso, o embasamento da região é formado pelo Complexo Região dos Lagos que tem como principal litologia os ortognaisses.

Histórico: Até a chegada dos colonizadores de origem portuguesa, no século XVII, a região era habitada pela tribo Saraçu, um ramo dos índios Goitacás. No século XVIII, existia, na região, a aldeia Indaiaçu, de índios Guarulhos (outro ramo dos Goitacás), que havia sido fundada pelo capuchinho italiano Francisco Maria Tali e que viria a dar origem à atual cidade de Casimiro de Abreu. A primeira capela, dedicada à Sacra Família, foi erguida em 1748. Em 1761, passou a constituir a freguesia de Sacra Família de Ipuca. Frequentes epidemias obrigaram a transferência da freguesia para junto do rio São João, onde foi construída uma igreja dedicada ao santo homônimo. Em 1800, foi criada a freguesia de “Barra de São João”, subordinada ao município de Macaé. Através da Lei Provincial n° 394, de 19/05/1846, a freguesia foi elevada à categoria de vila, separando-se de Macaé. Em 1890, foi elevada à categoria de cidade e o distrito de Indaiassu foi anexado. Em 1901, a sede do município transferiu-se de Barra de São João para Indaiassu e o nome do município também mudou para “Indaiassu”. Em 1904, ambas as alterações foram revertidas. Em 1925, a sede do município transferiu-se novamente para Indaiassu, que alterou seu nome para “Casimiro de Abreu”, em homenagem ao famoso poeta nascido no município. Em 1938, um ano antes do centenário do poeta, o município inteiro passou a denominar-se “Casimiro de Abreu”. Em 08/03/1980, a cidade foi centro de um deslocamento em massa e reunião de pessoas que acreditaram que um objeto voador não identificado, proveniente de Júpiter, pousaria em uma fazenda local. Estima-se que por volta de 20 mil pessoas, incluindo imprensa e órgãos internacionais, chegaram à cidade para acompanhar o pouso do suposto disco voador. A prefeitura da cidade à época chegou a preparar uma recepção oficial para os seres extraterrestres, incluindo uma enciclopédia a ser presenteada aos jupterianos. Após o pouso não ter acontecido, um tumulto começou a se formar e o evento ficou conhecido como “Efeito Casimiro”.


PRINCIPAIS GEOSSÍTIOS:

MORRO DE SÃO JOÃO
Localização: 22°35’27.11” S; 41°59’42.02” O
Descrição: O Morro de São João se destaca como uma elevação brusca de aproximadamente 800 m e essa imponência domina a paisagem local. Pode ser apreciado desde municípios vizinhos e até por imagem de satélite. Sua exuberante vista chama atenção de turistas que frequentemente realizam trilhas para contemplá-la. Ele é recoberto por vegetação típica de Mata Atlântica preservada. O morro, quando visto por imagem de satélite ou fotografia aérea, revela ao observador uma feição circular em planta. Em 3D tem a forma de um cone, o que inspira a ideia de que se trata de um vulcão extinto. Mas não é bem assim! As rochas do Morro de São João foram formadas por cristalização do magma (rocha fundida), daí serem classificadas como ígneas ou magmáticas. O magmatismo é típico de limites de placas tectônicas, mas, também, as rochas do Morro não se formaram em limites de placas. A formação do Morro de São João pode ser explicada pela Teoria proposta pelo meteorologista alemão Alfred Lothar Wegener no início do século XX denominada “Tectônica de Placas”, a qual sugere que a superfície terrestre é constituída por placas que se movimentam em diversas direções. Ele foi muito criticado por isto. Com o avanço das técnicas e tecnologia, a Geologia, hoje, pode informar que as placas se movem numa velocidade de poucos centímetros por ano, podendo se amalgamar em grandes massas continentais ou se fragmentar em porções menores. A América do Sul e África se separaram há cerca de 130 milhões de anos. Mas, há 65 milhões de anos, justamente no final do Cretáceo, quando os dinossauros se extinguiram, a região que hoje corresponde ao território do Estado do Rio de Janeiro esteve sobre uma anomalia térmica, uma grande região muito quente no Manto da Terra. À medida que a placa sul-americana se movimentava lentamente para oeste, essa anomalia de calor promovia a fusão das rochas que estavam na sua vizinhança. Este magma migra, então, em direção à superfície e intrude (invade) as rochas pré-existentes da região, que neste caso são bem antigas, pois possuem cerca de 2 bilhões de anos. Enquanto esta anomalia é fixa e a placa se movimenta, é formado um rastro de rochas ígneas ao longo do caminho percorrido. Estudiosos indicam que o alinhamento formado de feições magmáticas se estende desde Poços de Calda (MG) até Cabo Frio (RJ), e um desses registros é o que hoje conhecemos como o Morro de São João. No caso do Morro de São João, apesar de seu relevo sugestivo, não é possível identificar a presença de rochas que indicam a ocorrência de erupções vulcânicas em superfície. Estas rochas têm texturas muito finas porque esfriam muito rapidamente e podem até ser formadas por vidro! Também podem ser compostas de material ejetado dos vulcões, como cinzas e bombas. Mas, estes tipos de rocha não foram encontrados no Morro. As rochas do Morro de São João têm textura grossa, onde podem ser observados os minerais muito claramente, indicando que se cristalizaram lentamente em profundidade, o que é típico de rochas plutônicas. Plutão, na mitologia, é o senhor das profundezas. Já Vulcano é o senhor do fogo, dos vulcões na superfície. Assim, se um dia o Morro de São João foi um vulcão, os processos de alteração, erosão e transporte, já retiraram todo este material e o que vemos hoje é parte do corpo solidificado em profundidade. As rochas ígneas geradas neste episódio apresentam muito sódio (Na) e potássio (K) nos seus minerais e são denominadas de rochas alcalinas, por esta química especial. Não são rochas comuns na superfície da Terra e, portanto, são raridades a serem estudadas. Também, são pobres em sílica, muito diferentes das rochas mais comuns da superfície de nosso planeta. A singularidade do processo geológico que formou o Morro de São João fez com que próximo ao píer do Rio São João, que margeia o Morro de São João, fosse instalado um painel interpretativo do Projeto Caminhos Geológicos, que trata justamente desse contexto de formação das rochas. Sugere-se um passeio turístico de barco ao longo do rio cujo embarque localiza-se quase ao lado deste painel. Este local é, também, um sítio histórico com um casario colonial preservado. Neste mesmo local há, ainda, um painel do Projeto Caminhos de Darwin, já que Charles Darwin passou por Barra de São João em duas ocasiões (ida e vinda) durante sua excursão pelo estado do Rio de Janeiro em abril de 1832. Nele está transcrito uma pequena parte do diário do naturalista britânico: “Passamos por várias aglomerações de mata densa. Senti-me indisposto, com um pouco de calafrios e enjoo. Cruzei a barra de São João de canoa, ao lado de nossos cavalos. […] Viajamos até escurecer”. Ele não citou o Morro de São João, mas isto intriga a quem lê o diário, afinal este é um marco topográfico admirável para todos que passam pela região.

Referências: Mota, C.E.M.; Geraldes, M.C.; Almeida, J.C.H.; Vargas, T.; Souza, D.M.; Loureiro, R.O. Silva, A.P. 2009. Características Isotópicas (Nd e Sr), Geoquímicas e Petrográficas da Intrusão Alcalina do Morro de São João: Implicações Geodinâmicas e Sobre a Composição do Manto Sublitosférico. Geol. USP Sér. Cient., 9(1):85-100 | Mota, C.E.M. 2013. Petrogênese e geocronologia das intrusões alcalinas de Morro Redondo, Mendanha e Morro de São João: caracterização do magmatismo alcalino do Estado do Rio de Janeiro e implicações geodinâmicas. Tese (Doutorado), Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Geologia da UERJ, 204p. | Sichel, S.E.; Motoki, A.; Iwanuch, W.; Cargas, T.; Aires, J.R.; Melo, D.P.; Motoki, K.F.; Balmant, A.; Rodrigues, J.G. 2012. Cristalização fracionada e assimilação da crosta continental pelos magmas de rochas alcalinas félsicas do estado do Rio de Janeiro. An Inst Geocienc., 35:84-104

RIO ALDEIA VELHA
Localização: 22°27’52” S; 42°18’21” O (divisa com Silva Jardim)
Descrição: O rio Aldeia Velha, que corta a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Bom Retiro, entre os municípios de Casimiro de Abreu e Silva Jardim, representa um geossítio fluvial de alta relevância e paisagem monumental. A RPPN foi a primeira a ser instalada no estado do Rio de Janeiro (1993), teve seu Plano de Manejo aprovado em 2014 e possui 494,3 hectares de florestas primárias e em regeneração, sendo refúgio de muitas espécies ameaçadas de extinção. Destaca-se por sua Geodiversidade representada por diferentes rochas trazidas pelo rio ou por movimentos de massa no passado e que se depositam às margens do rio Aldeia Velha, nascentes e diferentes ambientes de sedimentação. Este rio apresenta, de forma didática, três diferentes processos fluviais. O primeiro deles, na parte alta do curso d’água, domina a erosão e transporte dos sedimentos nesse leito que tende a ser retilíneo e encachoeirado. Com a intensa ação da gravidade, pode-se dizer que nessa fase do rio a energia é alta. O segundo é quando o rio encontra a baixada, nas proximidades da sede da RPPN. Nessa parte, pelo relevo passar rapidamente para uma planície, há uma diminuição na energia, que possibilita a deposição dos sedimentos que vinham sendo carregados pelo fluxo d’água. Assim, depositam-se sedimentos muito grossos decorrentes do transporte fluvial e dos deslizamentos de solo e blocos rochosos, que podem ser vistos nas margens do rio, onde se acumulam e podem ser identificados materiais com composição diversificada, correspondendo aos diversos tipos existentes na bacia hidrográfica. O depósito resultante dessa fase é denominado leque aluvial, que são depósitos em sopés de áreas montanhosas distribuídos em formato de um leque aberto quando vistos de cima. No terceiro processo, quando o rio já se encontra na planície, a área é sujeita a inundações periódicas e o rio é caracterizado por um canal sinuoso, denominado meandrante. Os meandros, como são denominadas as curvas do rio, evoluem com passar do tempo. Inicialmente, conforme a água vai fluindo, ela escava a parte côncava do canal e deposita sedimentos na parte convexa, fazendo com que a curvatura vá aumentando até que o meandro é abandonado, não fazendo mais parte do fluxo principal do rio. Como forma de parceria entre nosso projeto e a RPPN Bom Retiro, e seguindo o que está estabelecido em seu Plano de Manejo, elaboramos um painel interpretativo, inaugurado durante o II GeoDia (10/06/2019), que trata do rio Aldeia Velha para ações de ecoturismo e educação ambiental, da mesma forma que apoiamos a preservação desta área tão especial.

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