Geoparque Seridó

Em 19/04/2010, dez anos atrás, o Projeto Geoparque Seridó iniciava as primeiras atividades: palestra e inventário do patrimônio geológico. A parceria entre a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) foi fundamental. Os geólogos Marcos Nascimento (UFRN) e Carlos Schobbenhaus (CPRM) e o geógrafo Rogério Valença (CPRM) estiveram no território para essas primeiras atividades.

Entre 2010 e 2015, as principais ações favoreceram um amplo inventário dos patrimônios natural e cultural com divulgação em diversos eventos e encontros regionais. Desde 2015, as ações se voltaram para um amplo diálogo com a população, gestores públicos (Municipal, Estadual e Federal), atividades nas áreas de educação, conservação e turismo, bem como, no último ano, na candidatura ao Programa Internacional de Geociências e Geoparques, com a intenção de se integrar à lista de Geoparques Mundiais da UNESCO.

Hoje, o Geoparque Seridó é considerado, pela UNESCO, Geoparque Aspirante. Assim, segue-se na luta a favor do desenvolvimento territorial sustentável de uma região belíssima no interior do Estado do Rio Grande do Norte, Nordeste do Brasil.

O Projeto Geoparque Costões e Lagunas do RJ realizou uma entrevista especial com o Coordenador Científico e Fundador do Geoparque, Prof. Dr. Marcos Nascimento!
Confira abaixo!

1) Quais as principais ações de geocomunicação e geoeducação que vocês têm realizado no território?

São realizadas de várias formas, contudo temos um Projeto Macro chamado “Os Cinco Sentidos do Geoparque Seridó: Geodiversidade, Geopatrimônio, Geoconservação, Geoturismo e Geoparques” que leva às escolas públicas e privadas conhecimento geocientífico para alunos dos ensinos fundamental e médio.

Isso ocorre sob a forma de reuniões com o corpo de professores e diretores, aulas/palestras com alunos e visita de campo a diferentes geossítios para atividades práticas, unindo, assim, conhecimentos teóricos/práticos. São abordados temas ligados à geodiversidade do território e, por vezes, local, falando sobre minerais, rochas e relevo, além das questões da educação ambiental. Ao final, de acordo com as escolas, produtos são materializados em feiras de ciências realizadas na própria escola ou em praças públicas dos municípios envolvidos.

Hoje, o Projeto está com 2 anos e meio de realização e conta com quase 3.000 pessoas atingidas. Além disso, por se tratar dos 5 sentidos, lançamos mãos de particularidades como:

a) Se pensarmos no “tato”, vamos trabalhar essa divulgação geocientífica com os artesãos locais, principalmente aqueles que trabalham com geoprodutos (artesanatos que lançam mão de elementos da geodiversidade, como minerais e rochas, por exemplo);
b) Se pensarmos no “paladar”, vamos trabalhar com as pessoas ligadas às questões da gastronomia que tem interesse na relação comida e geodiversidade, seja produzindo um prato com nomes geológicos ou com produtos genuinamente do território; e assim por diante.

Porém, essa divulgação geocientífica tem outras formas de serem realizadas e uma delas se dá pelas redes sociais do Geoparque Aspirante Seridó, como por exemplo, no nosso canal do YouTube, onde disponibilizamos inúmeros vídeos didáticos.

Outras formas de divulgação ocorrem, mas de forma mais acadêmica, quando produzimos monografias, dissertações, teses, artigos. Porém muitos desses trabalhos são, por vezes, adequados à linguagem e levados ao território dentro do Projeto Macro.

Recentemente criamos o Projeto de Extensão “GEOEDUCAÇÃO NO GEOPARQUE SERIDÓ EM JOGOS, MATERIAIS E ATIVIDADES LÚDICAS”, cujos objetivos são:

a) Proporcionar a democratização do conhecimento geológico para a comunidade do Geoparque Seridó, com ênfase no público estudantil;
b) Produzir materiais didáticos e lúdicos que aproximem e reforcem o sentimento de pertencimento e o elo patrimônio geológico-comunidade do Geoparque Seridó;
c) Agregar roteiros geoturísticos e ampliar materiais de divulgação do Geoparque Seridó em mídias sociais; e
d) Inserir discentes dos cursos de Geologia, Geografia e Turismo na elaboração de materiais, atividades e jogos didáticos e temáticos do Geoparque Seridó, utilizando os seus conhecimentos adquiridos na graduação.

2) Quantos e quem são os coordenadores científicos do projeto? Todos são geólogos?

No Comitê Científico somos 19 profissionais de diferentes áreas do conhecimento e instituições. Eu sou o Coordenador Científico (geólogo). Somos 7 geólogos, 7 geógrafos, 4 turismólogos, 1 advogado/geógrafo. Todos vindos da UFRN (Natal, Currais Novos, Caicó), IFRN (Natal, Currais Novos, Parelhas), UERN (Mossoró) e Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Os geólogos, geógrafos e turismólogos têm experiências em diferentes áreas do conhecimento.

3) Como começou o Geoparque, quem participou e como está o projeto hoje?

Começou, precisamente, dia 19 de abril de 2010 com uma palestra na UFRN de Currais Novos para expor à sociedade os trabalhos que se iniciariam naquele momento, como inventário do patrimônio geológico e divulgação dos conceitos de geoparque, geodiversidade e geoconservação.

A equipe inicial foi formada por mim (geólogo e docente da UFRN) e por Rogério Ferreira (geógrafo da CPRM) para o trabalho de inventário, contudo, nos primeiros 3 dias de trabalhos tivemos a participação de Carlos Schobbenhaus (geólogo da CPRM). Eu e Schobbenhaus demos palestras para gestores, professores, alunos e imprensas locais.

Todo esse trabalho de inventário esteve dentro do Projeto Geoparques do Brasil do Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Com sua finalização, o projeto passou a ser tocado pela UFRN com início da divulgação em diferentes eventos internacionais, nacionais e, principalmente, regionais/locais.

Isso levou cerca de cinco anos, indo de 2010 a 2015. A partir de 2015, passamos a ir mais ao território dialogar com gestores dos seis municípios, ampliar os diálogos com as comunidades inseridas no território e conversar com os gestores estaduais. Desde então, todos esses diálogos e as ações de educação, turismo e conservação promoveram claramente mudanças significativas no território, mas, principalmente, na população.

Hoje, contamos com forte apoio dos gestores municipais e estaduais [Prefeituras, Câmaras Municipais, entidades do terceiro setor (associações de guias, artesãos), Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Secretaria Estadual de Turismo (SETUR), Empresa Potiguar de Promoção Turística (EMPROTUR), Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (IDEMA), Procuradoria Geral do Estado (PGE)], além de entidades federais [Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)] e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), Associação dos Municípios da Microrregião do Seridó Oriental (AMSO) e Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Norte (OAB/RN), mas, principalmente, das comunidades inseridas no território.

A realidade atual é que em novembro de 2019 submetemos nossa candidatura ao Programa Internacional de Geociências e Geoparques, com a intenção de receber o título de Geoparque Mundial da UNESCO. Em janeiro de 2020, com toda documentação confirmada e aceita, entramos na lista dos Geoparques Aspirantes junto a outros 19 aspirantes.

Agora, estamos no aguardo da confirmação dos avaliadores que irão visitar o território e quando isso ocorrerá. Mas não paramos e demos continuidade às ações no território. Atualmente, mais de forma virtual, devido à pandemia (COVID-19).

4) Quais são os geossítios de maior relevância para o projeto? Quais são de interesse internacional?

Temos hoje 21 geossítios com diferentes interesses, com destaque para o geomorfológico, petrológico, paleontológico, hidrogeológico, além de mineiro e arqueológico.

Ao todo são 4 internacionais, 9 nacionais e 8 regionais/locais, segundo Brilha (2016) e com base no Geossit da CPRM. Mas utilizando outros métodos (Lima et al. 2010 ou Pereira 2010) também não muda muito a situação da relevância.

Além disso, temos quase que uma equiparidade quanto ao uso, sendo 17 geoturísticos, 16 educacionais e 15 científicos.

O geossítio mais importante e que destaca o principal elemento do geoparque é o Geossítio Mina Brejuí, por causa das mineralizações de scheelita nas rochas calciossilicáticas, de conhecimento mundial.

5) Qual é o maior desafio que vocês enfrentam na divulgação e engajamento do projeto?

Tem uma palavrinha que usamos muito e acho que resume bem essa pergunta… chama-se “comprometimento”. Se todos que estão envolvidos com o geoparque não estiverem comprometidos, temos aí o desafio e porque não a maior dificuldade!

A divulgação e o engajamento acontecem se houver esse comprometimento, assim estamos sempre buscando mostrar o quão é importante promover esse desenvolvimento territorial sustentável de forma planejada, organizada e, principalmente, levando isso para a população.

Claro que falta de recursos financeiros pode ser um desafio, mas se temos comprometimento com as coisas, damos um jeito de conseguir apoio para a realização das ações.

6) Para o ano de 2020, quais são os planos para o Geoparque Seridó?

Além de receber a comitiva da UNESCO, queremos ainda em 2020 implantar a sinalização com placas nos geossítios e nas rodovias, além de efetivamente se instalar na sala própria do Consórcio Público Intermunicipal do Geoparque Seridó.

Claro, mas principalmente continuar com todas as ações no território ligadas à educação, turismo e conservação, permitindo, assim, melhorias para a população local!

7) Defina o Geoparque Seridó em apenas uma palavra e por quê?

Comprometimento, porque sem isso nenhum geoparque vai adiante ou durará muito tempo!


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