Macaé

PRINCIPAIS GEOSSÍTIOS:

N°21: ARQUIPÉLAGO DE SANTANA
Localização: 22º24’6.35” S; 41º41’42.1” O
Descrição: Fica distante aproximadamente 8 quilômetros da costa. O arquipélago, formado pelas ilhas de Santana, do Francês, Ponta das Cavalas, Ilhote do Sul e demais rochedos e lajes que o constituem, é um Parque Natural Municipal e Área de Preservação Ambiental desde 1989, cujo uso público foi regulamentado em 2011. Tem grande beleza cênica e importância ambiental e cultural. Mas, também possui alto valor patrimonial do tipo científico, porque registra o limite norte do DTCF – Domínio Tectônico Cabo Frio, unidade tectono-estratigráfica considerada como peça-chave no entendimento do fechamento final do paleocontinente Gondwana. Nos costões das várias ilhas e lajedos são observados ortognaisses, ortoanfibolitos e pegmatitos, além de brecha tectônica silicificada na ilha do Francês, cuja evolução por erosão é responsável pela bela praia cuja visitação é permitida para lazer.

N°22: VILA DE SANA E SUAS CACHOEIRAS
Localização: 22°23’33.56″ S;  42°10’2.19″ O
Descrição: Área com intensa visitação turística por suas cachoeiras e caminhadas. Possui grande beleza cênica e toda a área é dominada pelo Peito de Pombo, montanha cuja silhueta é semelhante à desta ave. A área é dominada pela presença de granitos pós-orogênicos, encaixados em paragnaisses do Terreno Oriental.

N°23: LAGOA DE IMBOASSICA
Localização: 22º25’0.38” S; 41º49’6.5” O
Descrição: Esta lagoa costeira também foi visitada por Darwin, que ali coletou peixe para compor a coleção que enviava periodicamente à Inglaterra. Neste local existe um painel do Projeto Caminhos Geológicos. Os depósitos sedimentares desta área registram os últimos 20 mil anos, mostrando as variações do nível relativo do mar e seu registro na forma de uma antiga barra e de paleofalésias. A dinâmica costeira interpretada nos últimos 3 mil anos mostra que era comum a combinação entre uma cheia fluvial e uma maré anormalmente mais baixa. Com isto a lagoa transbordava naturalmente, rompendo a barra e escoando seu excesso de água e de vida para o mar, cumprindo assim sua função de berçário de peixes e crustáceos. Numa frequência bem menor, a barra podia ser rompida por ondas de ressaca. Ela, assim como outras lagoas da região, foi uma das principais fontes de alimentação de povos indígenas.

N°24: PARQUE NACIONAL DA RESTINGA DE JURUBATIBA
Localização: 22º12’5” S; 41º29’33” O
Descrição: é o primeiro Parque Nacional brasileiro a compreender exclusivamente o ecossistema de restinga. Pesquisadores concordam que Jurubatiba é a área de restinga mais bem preservada do país (http://www.quissama.rj.gov.br/index.php/2009/05/06/o-municipio-juribatiba/). Abrange parte das planícies fluviais e marinha dos municípios de Quissamã, Carapebus e Macaé. Compreende uma faixa de orla marítima com 14.860ha de área e 44 quilômetros de extensão de praias. É um importante território inserido na Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Registra espécies endêmicas e protege um rico ecossistema. Lagunas marcam as variações do nível do mar no Holoceno. O PARNA Jurubatiba é cortado pelo Canal Macaé-Campos que é considerado o segundo maior canal artificial do planeta e a maior obra de engenharia do período imperial no Brasil. Possui aproximadamente 100 km de extensão. Foram necessários quase trinta anos para a sua completa realização, que iniciada no ano de 1844 foi concluída em 1872. A construção de um canal navegável que serviria para o escoamento de mercadorias e transporte de passageiros entre Campos e Macaé, surgiu no final do século XVIII, frente ao crescimento da produção açucareira e as dificuldades de escoamento do produto. Dois anos apenas de sua conclusão foi inaugurada a estrada de ferro que ligava estas duas cidades, perdendo o Canal toda sua importância e funcionalidade. Tombado como patrimônio estadual em 2002, o Canal Campos-Macaé sofre hoje um intenso processo de assoreamento e despejos de esgotos, permanecendo apesar disso como um componente de destaque na paisagem urbana. Porém, no interior do parque ele mantém sua exuberância.


PRINCIPAIS SÍTIOS DE INTERESSE HISTÓRICO-CULTURAL NA ÁREA DO GEOPARQUE:

N° 12: CAMINHOS DE DARWIN
Localização: 22º22’28.07” S; 41º46’36.53”O
Descrição: Darwin passou por Macaé por duas vezes. Na primeira, dormiu do dia 11 para 12 de abril, conforme descrito a seguir: “Dormimos na Venda do Mato, duas milhas ao sul da foz do rio Macaé. Senti-me indisposto a noite toda. Não foi preciso muita imaginação para figurar os horrores de adoecer em um país estrangeiro, incapaz de pronunciar uma só palavra e de obter ajuda médica.” Novamente, no dia 19 de abril, retornando para o Rio de Janeiro, e registrou: “Deixamos Sossego, cruzamos o rio Macaé e dormimos na Venda de Mato. À noite, caminhei pela praia e desfrutei da vista de uma arrebentação alta e violenta”. Um painel do projeto Caminhos de Darwin foi implantado perto da foz do rio Macaé.

N°13: PAINEL DOS CAMINHOS GEOLÓGICOS SOBRE A BACIA DE CAMPOS
Localização: 22º24’12.83” S; 41º47’39.53” O
Descrição: Na praia dos Cavaleiros foi implantado um painel que descreve a origem geológica do petróleo na Bacia de Campos, a maior produtora de petróleo no Brasil. A Bacia de Campos inicia sua evolução a partir da instalação do processo que separou a América do Sul da África e criou o Oceano Atlântico, iniciado há aproximadamente 130 milhões de anos. Posteriormente formaram-se depressões que foram preenchidas inicialmente por lagos de água doce. Por volta de 115 milhões de anos atrás, o ambiente desses lagos, já em condições salobras, se tornou favorável a um intenso desenvolvimento de algas. Conchas se multiplicavam às suas margens. A abundante acumulação de restos vegetais no fundo do lago deu origem à rocha rica em matéria orgânica, que gerou o petróleo. O mar invade a depressão entre África e Brasil por volta de 112 milhões de anos, formando um longo golfo que se estendia desde Santa Catarina até Alagoas. O clima árido com evaporação intensa tornava estas águas uma verdadeira salmoura, depositando espessas camadas de sal. Com o peso dos sedimentos o sal deformou-se, produzindo as armadilhas que aprisionaram o petróleo em alguns dos atuais campos produtores. Em torno de 105 milhões de anos, houve uma invasão mais efetiva da água do mar sobre o continente. Desenvolveram-se extensos bancos de areias carbonáticas em um mar raso, de águas límpidas e mornas. Essas areias deram origem aos calcarenitos, que são as rochas reservatórios de óleo nos campos de Pampo e Garoupa, dentre outros descobertos pela PETROBRAS. Com o afastamento entre Brasil e África, a bacia sedimentar se torna cada vez mais profunda. Por volta de 90 milhões de anos, o fundo do jovem Oceano Atlântico passou a receber violentas descargas de sedimentos trazidos nas grandes enchentes dos rios, produzindo correntes turbulentas que escavaram cânions e despejaram extensos depósitos arenosos turbidíticos em águas profundas. Esses turbiditos são as rochas produtoras de óleo nos campos gigantes de Marlim, Albacora e Roncador.

Deixe seu comentário: