Maricá

PRINCIPAIS GEOSSÍTIOS:

N° 1: COSTÃO DE PONTA NEGRA
Localização: 22°57’42.86″ S; 42°41’29.75″ O
Descrição: Neste ponto pode ser observado o contato entre os ortognaisses do Complexo Região dos Lagos, embasamento do DTCF – Domínio Tectônico Cabo Frio, e o Grupo Búzios-Palmital. Ali foram datadas as rochas mais antigas do DTCF, com 2.1 Ga (informação verbal de Renata Schmitt). Pode ainda ser encontrado neste local megaboudins de anfibolitos e pegmatitos paleoproterozóicos, um conjunto de rochas paraderivadas intensamente deformadas de idade neoproterozóica e, também, um dique de diabásio com 130 milhões de anos. Uma cavidade natural, denominada pelos moradores como “Sacristia”, atrai muitos visitantes. Ponta Negra é um mirante natural, onde foi implantado um farol e de onde se descortina a paisagem do sistema lagunar de Maricá, com seu cordão arenoso característico, a oeste, e a praia de Jaconé, a leste. Possui valor científico, didático e turístico, além de importância cultural.

N°2: BEACHROCKS DE DARWIN
Localização: 22°56’33.38″S; 42°40’10.31″O
Descrição: Na praia de Jaconé, na região entre Maricá e Saquarema, ocorrem beachrocks em mais de 1100m de extensão contínua (podendo alcançar 6 km em linha descontínua). Indicam uma posição do nível relativo do mar na época de sua formação um pouco mais baixa que a atual cerca de 0,5 m. Suas conchas foram datadas em 8.198 – 7.827 anos A.P. (Mansur et al. 2011), pelo método radiocarbono. Esta ocorrência permitiu a identificação de 3 litofácies em arenitos, coquinas e conglomerados. Foram descritas estruturas primárias como estratificação plano-paralela e cruzada de baixo ângulo e acanalada. Num Estado predominantemente formado por rochas cristalinas, esta rara ocorrência sedimentar reveste-se de importância. Seu valor é amplificado porque foi descrito por Charles Darwin, então com 23 anos de idade, em 9 de abril de 1832. Pesquisas arqueológicas realizadas na região descobriram seixos de beachrock nos sambaquis da Beirada e de Moa, em Saquarema, mostrando que este material já era conhecido do homem pré-histórico há mais de 4.000 anos A.P. Por seus atributos é classificado como patrimônio geológico com importância histórica e cultural e pelas informações científicas que abrangem aspectos geomorfológicos, sedimentar, paleoambiental, petrológico e estratigráfico, além de arqueológico e contextualizado na história da ciência. Tem importância internacional e valor científico, cultural, didático e ecológico.


PRINCIPAL SÍTIO DE INTERESSE HISTÓRICO-CULTURAL NA ÁREA DO GEOPARQUE:

N°01: CAMINHOS DE DARWIN
Localização: 22°55’53.71″ S; 42°58’13.40″ O
Descrição: No dia 8 de abril de 1832, Charles Darwin iniciou uma expedição pelo interior do Estado do Rio de Janeiro. Cruzou a Baía de Guanabara e chegou a Praia Grande, atual Niterói. Ao passar pela Serra da Tiririca ele se deslumbrou: “As cores eram intensas e o matiz predominante era um azul escuro, com o céu e as águas calmas da baía rivalizando em esplendor. Após passar por uma região cultivada, adentramos uma floresta cuja grandeza não podia ser superada. À medida que os raios de sol penetravam a massa emaranhada, lembrei-me energicamente de duas gravuras francesas feitas a partir dos desenhos de Maurice Rugendas e Le Compte de Clavac. […] Eu não conseguia de maneira alguma parar de admirar essa cena”. Chegou à região de Maricá denominada Itaocaia, nome dado também a um monólito granítico. Sobre esta rocha e a escravidão, Darwin escreveu: “Este lugar é famoso no país por ter sido durante um longo período a morada de alguns escravos fugidos que, cultivando uma pequena gleba de terra próxima ao topo, conseguiram tirar dali seu sustento. Por fim, alguns soldados foram enviados e os prenderam todos, com exceção de uma velha que, a ser capturada de novo, preferiu se espatifar em pedaços e jogou-se bem do topo da montanha. Fosse ela uma matrona romana e isso seria chamado de patriotismo nobre; como se trata de uma negra, foi chamado de obstinação brutal! […] Como foi ficando escuro, passamos sob uma das montanhas maciças, nuas e escarpadas de granito tão comuns nesta região”.

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