Arraial do Cabo

Descrição Geral: Localizado a 140 km do Rio de Janeiro, Arraial do Cabo possui belíssima paisagem composta por dunas, costões, lagoas e praias. A cidade é conhecida como a “capital do mergulho” por suas águas limpas e claras, produto da ressurgência das águas frias da Corrente das Malvinas. Suas principais atividades econômicas são o turismo e a pesca.

Geologia: Arraial do Cabo apresenta gnaisses do embasamento com 2 bilhões de anos. Cortando essas rochas ocorrem corpos de rochas ígneas com 130 milhões e 52 milhões de anos. Estas últimas ocorrem como corpos intrusivos na Ilha do Cabo Frio e no Pontal do Atalaia, principalmente.

Histórico: As terras que formam o território atual de Arraial do Cabo têm história geológica longa e intensa. Também presenciou vários fatos marcantes distribuídos em seus quase 5.000 anos de presença humana. Seus primeiros habitantes foram os índios Tamoyos e Goitacazes, da nação Tupinambá, que habitaram com exclusividade essas terras até 1503, quando o navegador florentino Américo Vespúcio chegou com 24 homens para guardar o local sob o comando de João Braga, em uma pequena casa feita de barro e coberta de palha na Praia da Rama, hoje Praia dos Anjos, onde havia muito pau-brasil e outras riquezas naturais. Nesse local se encontra a Igreja de N. Sr.ª dos Remédios, sendo realizada a primeira missa em ambiente fechado do Brasil. Na mesma área foi colocado o marco comemorativo da chegada de Américo Vespúcio e onde também encontra-se a cacimba que abastecia de água a população de Arraial do Cabo. O povoado fundado por Américo Vespúcio foi o primeiro núcleo de população do Brasil, tendo, portanto, quase a mesma idade histórica da nossa terra e é nele que inicia o ciclo do pau-brasil. Quando os franceses foram expulsos do Rio de Janeiro, Arraial continuou abandonado e sujeito a ataques. Quando Constantino Menelau, governador do Rio de Janeiro, foi a Cabo Frio, transformou Arraial do Cabo em seu quarto distrito. Começa então o processo de colonização, crescendo lentamente com a sua população formada por pescadores. A região prosperou lentamente até o século 19, quando começou a explorar o sal da Lagoa de Araruama. Com a Abolição da Escravatura houve o colapso da região que restabeleceu após a implantação da estrada de ferro, da rodovia e da Companhia Nacional de Álcalis, fundada em 20/07/1943. Em 13/05/1985, Arraial teve sua a emancipação assinada por Leonel de Moura Brizola, governador do Estado do Rio de Janeiro. Em 15/11/1985, foi eleito o primeiro prefeito, Hermes Barcellos, que assumiria a prefeitura em 01/01/1986.


PRINCIPAIS GEOSSÍTIOS:

BREJO DO ESPINHO
Localização: 22º55’55.07” S; 42º14’20.83” O
Descrição: O acesso se faz pela RJ 102, que liga Praia Seca a Arraial do Cabo. Possui sinalização do Projeto Caminhos Geológicos para indicação da entrada ao local. Uma descoberta científica de importância internacional realizada na região foi a identificação de um mecanismo de formação do mineral dolomita pela precipitação, na superfície da Terra, com a participação microbiana (bactérias redutoras de sulfatos) em ambiente hipersalino (Vasconcelos & Mackenzie 1997). O Brejo do Espinho, assim como a Lagoa Vermelha, é um destes locais especiais para estudar a história da vida na Terra. Vale observar o ambiente de dunas e vegetação de restinga em excelente estado de conservação. Nestes locais podem ser avistados pássaros endêmicos e ameaçados de extinção, como o Formigueiro-do-Litoral (Formicivora litorallis).

ILHA DO CABO FRIO
Localização: 22º58’10.07”S; 42º1’9.91”O
Descrição: O acesso à ilha se faz pelo terminal da Praia dos Anjos, de onde saem os barcos que fazem passeios turísticos. A geologia da ilha é caracterizada por rochas ígneas alcalinas, com cerca de 50 milhões de anos em contato com rochas metamórficas com 2 bilhões de anos. Diques toleíticos também associados ao magmatismo alcalino podem ser observados. Na praia da ilha ocorre um beachrock datado por Castro et al. (2011) em aproximadamente 11 mil anos, na passagem do Pleistoceno para o Holoceno, além de dunas e um sítio arqueológico. Nos costões existe uma caverna que, em dias de mar calmo, o barco turístico pode acessar. A ilha é rica em histórias de naufrágios, lendas e mitos. Possui dois faróis (um antigo e um novo), além de possuir uma beleza cênica impressionante. No continente predominam as rochas metamórficas, cortadas pelas ígneas (toleíticas e alcalinas), com espetaculares feições no Pontal do Atalaia. Para a intrusão localizada na Ilha de Cabo Frio, os litotipos principais são nefelina-sienitos, sienitos e brechas magmáticas de matriz traquítica e fragmentos de rochas alcalinas e do embasamento (Valença & Klein 1984). Melanosienitos e lamprófiros também são observados. Para Motoki et al. (2008a, 2008b, 2008c) e Sichel et al. (2008) as brechas piroclásticas, que ocorrem na extremidade sudoeste da ilha, correspondem a tufos soldados preenchendo fissura subvulcânica. Para estes autores, os clastos de tufo soldado indicam a ocorrência de repetidas erupções explosivas, porém não foram encontradas evidências de depósito eruptivo subaéreo. A erosão de um dique de fonolito (Sichel et al. 2005) na Ilha do Cabo Frio, é responsável por uma das mais bonitas feições da região, a Fenda de Nossa Senhora. O painel do Projeto Caminhos Geológicos existente no píer do terminal descreve a origem da variada geologia que se pode ver na ilha e no continente, inclusive os monumentos visitados nos passeios de barco, como a Fenda de Nossa Senhora e a Gruta Azul. Possui valor científico, histórico, pré-histórico, cultural, ecológico e didático.

ALTO ESTRUTURAL DE CABO FRIO
Localização: 22º58’15.83” S; 42º1’16.03” O
Descrição: Na escola, aprendemos sobre bacias hidrográficas, no entanto, nem sempre nos é explicado o conceito e a origem das bacias sedimentares. Estas são depressões para onde convergem os sedimentos (partículas de diversos tamanhos e composições) transportados pela água, vento, geleiras, etc. Temos no litoral do território do nosso projeto duas importantes bacias sedimentares brasileiras: Bacia de Campos e Bacia de Santos, separadas por uma faixa alongada, cujo eixo se orienta na direção noroeste – sudeste. Nestas bacias, estão localizados os mais importantes campos de produção de petróleo e gás do Brasil. A esta faixa é dado o nome de Alto Estrutural de Cabo Frio, que se estende desde o continente até muitos quilômetros mar adentro e passa na região das cidades de Arraial do Cabo e Cabo Frio. Apesar de não ser possível enxergar diretamente o subsolo, a Geofísica permite revelar o que está oculto. Assim como a ultrassonografia dá uma visão do bebê ainda na barriga da gestante, os métodos geofísicos viabilizam o estudo do que não se pode ver diretamente, por isso são denominados métodos indiretos. Essa tecnologia utiliza várias propriedades das rochas, como a densidade e o magnetismo. Há também os métodos diretos para estudo de uma bacia sedimentar através de testemunhos de sondagem, por exemplo, onde são obtidas amostras de rochas do subsolo durante a perfuração de um poço. A formação dessas bacias e do Alto Estrutural está relacionada à quebra do Supercontinente Gondwana, que ocorreu há aproximadamente 130 milhões de anos, separando o continente Africano da América do Sul e resultando na abertura do Oceano Atlântico. Durante a separação dos continentes, houve soerguimento das rochas já existentes, dando início à formação dessa faixa que separou as bacias rebaixadas. Entre 80 e 40 milhões de anos, ocorreu, ainda, outro evento geológico que pode ter influenciado também na formação do Alto Estrutural de Cabo Frio, o vulcanismo. A Geofísica também mostra vários corpos vulcânicos em subsuperfície que acompanham a direção deste alto. A evolução dessas bacias está ligada com a abertura do Oceano Atlântico. Este processo resultou em grandes depressões que formaram lagos profundos, como aqueles que hoje ocorrem no leste da África. Nesses lagos, salinos e quentes, acumularam-se depósitos de sal, carbonatos e micro-organismos. A preservação de matéria orgânica nos sedimentos tornou-se essencial para geração de óleo e gás nas bacias. Após a abertura do oceano, quando já formado e bem desenvolvido, ocorreu deposição de sedimentos provenientes de altas montanhas existentes no continente, gerados pela ação intensa do intemperismo e erosão. Ao longo de milhões de anos de evolução, a matéria orgânica acumulada vai sendo continuamente soterrada e fica, então, submetida a uma pressão e temperatura tal que a transforma em hidrocarbonetos (petróleo bruto). Condições especiais devem ocorrer para que este óleo migre e se acumule em quantidade para que sua extração seja economicamente viável. Depois de bombeado, o hidrocarboneto precisa ser refinado para obtenção dos derivados utilizados pela indústria como, por exemplo, a gasolina e o plástico. Assim, com conhecimento e tecnologia é possível retirar o óleo e gás em profundidades de milhares de metros, tanto de coluna de água do mar, quanto de rocha no fundo oceânico. Este é um recurso não renovável, que leva milhões de anos para se formar e que, portanto, devemos buscar todos os meios para utilizá-lo de forma equilibrada e responsável.

LAGOA DE ARARUAMA
Localização: 22°54’40.4” S; 42°21’29.2” O
Descrição: A Lagoa de Araruama é um geossítio de extrema relevância no nosso território, não só por ser a maior sistema lagunar hipersalino em estado permanente da Terra (cerca de 220 km²) como pela raridade do ecossistema em que ocorre. Banha os municípios de Saquarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio e Arraial do Cabo. A existência da Lagoa representa uma parte relativamente recente da história da Terra, correspondente aos registros de avanços e recuos do nível relativo do mar nos últimos 120 mil anos, ou seja, compreende o final do período Quaternário (pequena parte do Pleistoceno e todo o Holoceno, que é o nome da época em que vivemos). As variações no nível do mar muitas vezes representam mudanças climáticas cíclicas em nosso planeta, causadas por períodos de glaciação entremeados com momentos mais quentes, os interglaciais. Essas mudanças foram fundamentais para a deposição dos sedimentos na Restinga da Massambaba e para a existência deste sistema lagunar tão especial. Pela observação da imagem de satélite é possível perceber que a Lagoa de Araruama está separada do mar por um grande cordão arenoso, onde estão instaladas pequenas lagunas, como as Lagoas Vermelha, Pitanguinha, Pernambuca, Brejo do Espinho, entre outras. Estudos e datações revelaram que este cordão é composto por dois cordões de idades bem distintas, sendo que o mais velho não ocorre em toda a extensão da Massambaba e está mais próximo à Lagoa de Araruama (chamado de barreira interna). Ele foi associado à elevação do nível do mar que ocorreu há cerca de 120 mil anos, formando uma enseada onde hoje está a Lagoa de Araruama. Mas, no final do Pleistoceno, houve um período glacial bastante intenso, que fez recuar o nível do mar por conta do congelamento de água nos polos e continentes. Este recuo fez com que sedimentos se depositassem e houvesse a formação desse cordão mais velho e interno, cuja formação também foi facilitada pelo transporte de sedimentos pelas correntes marinhas. Posteriormente, entre 7 e 5 mil anos A.P (antes do Presente), houve uma nova elevação do nível do mar. A que ocorreu há 5 mil anos é considerada a maior do Holoceno e alcançou cerca de 3 m acima do nível atual. O mar novamente invadiu a Lagoa de Araruama, destruindo parte da barreira interna. No recuo do nível relativo do mar, que ocorreu após este momento, houve a formação por sedimentação da barreira externa que, assim, deixou seu registro nas pequenas lagunas existentes no interior do cordão. Sua hipersalinidade peculiar está associada ao fenômeno da ressurgência. Esse fenômeno é causado pela Corrente das Malvinas, de águas frias, que migram pelo fundo do oceano até que alcança a Ilha do Cabo Frio, ou Ilha do Farol, em Arraial do Cabo. Com os ventos de direção NE, as águas quentes nas partes mais rasas do oceano são empurradas e essa água fria sobe à superfície. Isto desfavorece a evaporação e, consequentemente, a formação de nuvens de chuva. Além disso, os ventos também dispersam as nuvens que não encontram barreiras de montanhas para provocar a precipitação na região. Esse conjunto de fatores gera um clima semiárido. Assim, são raros os rios e córregos para abastecer a Lagoa de Araruama e todo o sistema com água doce. A insolação e os ventos fortes favorecem a evaporação da água da lagoa, tornando-a hipersaturada em sais. Esta peculiaridade é responsável pela existência histórica das salinas na região, que emprestam beleza à paisagem com seus cata-ventos. Além disso, propicia as condições para formação de estromatólitos.

Referências: Prado, T.P.M. 2016. Caracterização de Fácies e Interpretação Paleoambiental em um Testemunho de Sondagem na Lagoa Vermelha, Planície Costeira de Araruama (Região dos Lagos), RJ. Trabalho de conclusão de curso (graduação), Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Geociências, Departamento de Geologia 53p. | Mansur, K.L. 2010. Diretrizes para Geoconservação do Patrimônio Geológico do Estado do Rio de Janeiro: o caso do Domínio Tectônico Cabo Frio [Rio de Janeiro]. Tese de Doutorado, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Geociências, Programa de Pós-Graduação em Geologia, 214p. | Gênese da Morfologia do Fundo da Lagoa de Araruama e Cordões Litorâneos Associados | Estudo Preliminar da Climatologia da Ressurgência na Região de Arraial do Cabo, RJ


PRINCIPAIS SÍTIOS DE INTERESSE HISTÓRICO-CULTURAL:

ALTO ESTRUTURAL DE CABO FRIO / AMAZÔNIA AZUL / MUSEU OCEANOGRÁFICO DE ARRAIAL DO CABO
Localização: 22º58’15.83” S; 42º1’16.03” O
Descrição: Neste ponto existem três atrativos: painel do Projeto Caminhos Geológicos sobre o Alto Estrutural de Cabo Frio; um outro painel colocado pelo Ministério da Marinha sobre o mar; e o Museu Oceanográfico. Os painéis localizam-se na Praia dos Anjos, em frente ao Museu Oceanográfico da Marinha.

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