São João da Barra

PRINCIPAIS GEOSSÍTIOS:

N°28: LAGOA SALGADA
Localização: 21°54’10’’S; 41°00’30″ O (Divisa dos Municípios de São João da Barra e Campos dos Goytacazes, na localidade Barra do Açu)
Descrição: Distante aproximadamente 25 km de Farol de São Thomé, a Lagoa Salgada faz parte do complexo deltaico do rio Paraíba do Sul. Esta lagoa ocupa uma área com cerca de 16 km2, estando situada em uma planície arenosa formada por cristas e praias (beach ridges) holocênicas, ao sul do rio Paraíba. A origem marinha destas areias é confirmada através da análise de foraminíferos, cujas formas encontradas evidenciam uma ligação aberta com o mar. A Lagoa Salgada é uma laguna hipersalina, que abriga ocorrências de estromatólitos carbonáticos colunares, domais, estratiformes, trombólitos e oncólitos da idade holocênica. A sua importância geológica e paleontológica pode ser comparada com as outras poucas ocorrências semelhantes como em Shark Bay (Austrália), Bahamas, Golfo Pérsico, Solar Lake (Israel), Salt Lake (EUA), Green Lake (EUA), Yellowstone National Park (EUA), Florida (EUA), Ilha de Hai-Nan (China) e Golfo do México, entre outros. (Martin et al. 1993). Um painel do projeto Caminhos Geológicos foi implantado na Lagoa Salgada cuja descrição consta do primeiro volume do SIGEP (Srivastava 2002).

N°29: DELTA DO RIO PARAÍBA DO SUL / ATAFONA
Localização: 21º37’30.96” S; 41º0’50.75” O
Descrição: Neste local está implantado um painel do Projeto Caminhos Geológicos.  O delta do rio Paraíba do Sul é um dos mais clássicos exemplos de delta dominado por ondas, sendo formado por várias cristas arenosas que representam antigas linhas de praia. Os limites entre os sistemas de cristas representam épocas de erosão. Desde os anos 1950, Atafona vem sofrendo um processo de erosão das praias que atinge, também, as residências. Desde aquela época, a ação do mar derrubou quase duas centenas de construções em 14 quadras, destruindo uma igreja, uma escola, um posto de gasolina, diversas casas de comércio, dois faróis da marinha e moradias. A área atingida corresponde ao tamanho de 40 campos de futebol (www.caminhosgeologicos.rj.gov.br). A velocidade da erosão é variável ao longo do ano e pode ser mais intensa em alguns anos e menos em outros. A maior atividade erosiva ocorre de novembro até março. Nos outros meses a praia pode até aumentar temporariamente. O mar avança quase 3 metros por ano sobre Atafona. Esta velocidade de erosão não é igual para toda a área, ou seja, as áreas mais baixas são erodidas com maior velocidade do que as mais elevadas. A quantidade de sedimentos que chega pelo rio e a força da massa de água são os fatores determinantes para a ocorrência de períodos erosivos ou de deposição. Correntes litorâneas transportam o sedimento erodido em Atafona para a praia de Grussaí ao sul.


PRINCIPAL SÍTIO DE INTERESSE HISTÓRICO-CULTURAL NA ÁREA DO GEOPARQUE:

N°18: ANTIGA CASA DA CÂMARA E CADEIA MUNICIPAL / CENTRO CULTURAL JOÃO OSCAR DO AMARAL PINTO
Localização: 21°38’5.53″ S; 41° 2’58.93″ O
Descrição: Único prédio do município que sobrou da época colonial. Esta obra foi iniciada em 1794 e terminada em 1797. A argamassa de suas paredes de 1,5 m de espessura foi misturada com óleo de baleia. As janelas inferiores têm grossas grades triplas de ferro. Na primeira reforma que sofreu, em maio de 1967, realizada pelo IPHAN, descobriu-se um túnel sob o prédio, um fojo, que liga as celas ao rio Paraíba do Sul. Segundo Fernando José Martins, no porto de Gargaú estacionavam 14 naus piratas. Daí, talvez, o reforço da cadeia pública, que foi muito utilizada para prender escravos fujões. Um alçapão existente no andar superior fez surgir a lenda que na época colonial servia para lançar diretamente nas celas do andar inferior os vereadores cujos votos ou opiniões desagradassem a presidência. O prédio da antiga Cadeia Pública e Casa de Vereança, reformado em 1967 pelo IPHAN, guarda segredos e lendas entre grossas paredes e as grades triplas de ferro nas janelas do andar inferior.

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