São Pedro da Aldeia

Geologia – Apresenta rochas de 2 bilhões de anos, idade das rochas mais antigas, além de 500 milhões de anos, formadas durante a amalgamação do paleocontinente Gondwana. Afloram, ainda, depósitos sedimentares fluviais da Formação Barreiras do Neogeno. Podem ser observados registros do último avanço do nível do mar há cerca de 5 mil anos e depósitos atuais nas praias da Lagoa de Araruama.


PRINCIPAIS GEOSSÍTIOS:

N°5: SERRA DA SAPIATIBA E SAPIATIBA MIRIM
Localização: 22º50’45.47” S; 42º11’59.71” O (O acesso se faz pela Rodovia Amaral Peixoto entre Iguaba Grande e São Pedro da Aldeia, na altura da Ponta da Farinha)
Descrição: Foi implantado neste local um painel do Projeto Caminhos Geológicos. As rochas da Serra de Sapiatiba e Sapiatiba Mirim são paraderivadas e sua origem está no metamorfismo de sedimentos marinhos lamosos acumulados no mar existente antes da amalgamação do Gondwana. Esta bacia sedimentar oceânica certamente durou até 600 milhões de anos atrás. Foi denominada de Bacia Búzios-Palmital e compreende as rochas da região de Búzios e das serras da Sapiatiba, Mato Grosso e Palmital.

N°: PRAIAS DA BALEIA E PONTA DA AREIA
Localização: 22°52’59.3″ S; 42°07’28.6″ O (Praia da Baleia) | 22°52’11.5″ S; 42°06’40.1″ O (Ponta da Areia)
Descrição: Localizadas aproximadamente a 5 km do centro de São Pedro da Aldeia, as praias da Baleia e Ponta da Areia (também conhecida como Praia do Boqueirão) são praias lagunares de águas calmas. Normalmente são frequentadas, tanto por moradores como por turistas, para pesca, lazer e esportes náuticos. Em uma caminhada ao longo dessas belíssimas praias, encontram-se pontões rochosos, formados pelo afloramento de rochas metamórficas (ortognaisses e ortoanfibolitos) muito antigas, datadas em aproximadamente 2 bilhões de anos. Estruturas como, por exemplo, dobras são comuns nesses locais. Rochas se dobram em resposta aos esforços a que elas são submetidas durante eventos tectônicos. Ao serem aquecidas, por estarem em grandes profundidades, sofrem compressão devido aos processos tectônicos e, assim, deformam-se. Pense em uma barra de ferro se transformando em uma ferradura sob ação de temperatura e pressão (marteladas dadas pelo ferreiro). Da mesma forma as rochas se dobram: calor e pressão no interior da Terra. Estas rochas se deformaram durante a colisão que formou o Supercontinente Gondwana há cerca de 500 milhões de anos. Na Ponta da Areia ainda é possível apreciar um lindo pôr do sol ao lado de brechas produzidas pelo movimento de uma falha geológica. Falhas são rupturas em um bloco de rocha e se formam quando submetidas a tensões: geram zonas de fraqueza e rompem-se. Podem chegar a ter dimensões continentais. As brechas tectônicas, formadas em ambiente de falha, são um tipo de rocha caracterizada pela presença de fragmentos angulosos das rochas pré-existentes envoltos por um material mais fino. Esse tipo de rocha tem origem em zonas relativamente menos profundas da Terra do que as dobras, sendo, portanto, mais frias. Dessa forma, quebram-se quando submetidas a tensões, dando origem a esses fragmentos. Muitas das zonas de fraqueza encontradas na região estão relacionadas também à fragmentação do Supercontinente Gondwana há cerca de 130 milhões de anos. Essas falhas, que geraram terremotos no passado, foram reativadas posteriormente, produzindo essas brechas observadas na Ponta da Areia. Essa é uma história de dobras e falhas produzidas pelas forças internas da Terra. Mas, por outro lado, a areia dessas praias é fruto dos processos que ocorrem na superfície.


PRINCIPAIS SÍTIOS DE INTERESSE HISTÓRICO-CULTURAL NA ÁREA DO GEOPARQUE:

N°6: CAMINHOS DE DARWIN
Localização: 22º50’19.55” S; 42º6’13.03” O
Descrição: Na praça Agenor Santos, no centro da cidade, ao lado do coreto foi implantado um painel dos Caminhos de Darwin. Neste painel pode-se ler um trecho do diário de Charles Darwin sobre São Pedro da Aldeia, por onde passou no dia 10 de abril de 1932: “Partimos animados antes que clareasse, mas as 15 milhas [24 km] de areia pesada antes de tomarmos o café da manhã em Aldeia de São Pedro praticamente destruíram os bons modos do nosso grupo.” O centro histórico onde foi implantado o marco comemorativo da passagem de Darwin em São Pedro da Aldeia é tombado pelo IPHAN e pelo INEPAC.

N°7: CASA DA FLOR
Localização: 22º51’2.83” S; 42º3’23.7” O
Descrição: Esta edificação, tombada como patrimônio estadual, está descrita da seguinte forma no Guia de Bens Tombados do Estado (www.inepac.rj.gov.br): A Casa da Flor é obra de arquitetura e escultura de seu Gabriel dos Santos, nascido em 1893, filho de ex-escravo e trabalhador nas salinas de São Pedro d’Aldeia. Montada durante décadas, pelo acúmulo de restos, no dizer do autor “coisinhas de nada” – búzios, conchas e outros depósitos da lagoa, detritos industriais, pedaços de azulejos e faróis de automóveis – a construção, ainda nas palavras de Gabriel, é uma “casa feita de caco transformado em flor”. Aparentemente, insólita e bizarra, essa fabricação onírica “eu sonho para fazer e faço” tem efeitos visuais tão lindos e inesperados quanto os muros do Park Güell, de Antonio Gaudi em Barcelona. Trata-se, sem dúvida, de um traço vital da vertente popular e traumatizada de nossa arte. Com seu sonho realizado, seu Gabriel viveu ali sob luz de lamparina, até 1986, quando faleceu aos 93 anos. Em 2001 a Casa da Flor foi restaurada.

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